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AS MOSCAS NA LATA DO LIXO

Sep 13
1 min read
Bebel - Ouro Preto, MG - 2026
Bebel - Ouro Preto, MG - 2026


Testemunhei, certa vez, sob a lua que cobria o telhado que me cobria

Uma lata de lixo que segurava, em meio ao almíscar amargo do chorume,

O absurdo em um segundo

O pico do riso universal, que só cabe no tempo microscópico que leva os olhos a

Devanear 


Meus olhos de dentro estavam em estado de reza 

E só a memória do não-visto guiava meus passos em cima do chão novo tão antigo

Dentro de mim, a vista da borda do infinito

Memórias de fios, de peles, de eternidades na suspensão de um olhar

Era eu e todo mundo

Era nada também 

E tudo era belo no limbo


Mas os olhos de fora foram, então, fadados a focar

E viram

No riso de toda a realeza dos restos da razão

As moscas enormes e costudas que coroavam o belo aviso, o sinal 

Na divina placa do lixo

Que, reluzente, dizia


Por amor 

O preço 

É outro


Sempre foi 

E ainda é 

Não é?


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