AS MOSCAS NA LATA DO LIXO

Testemunhei, certa vez, sob a lua que cobria o telhado que me cobria
Uma lata de lixo que segurava, em meio ao almíscar amargo do chorume,
O absurdo em um segundo
O pico do riso universal, que só cabe no tempo microscópico que leva os olhos a
Devanear
Meus olhos de dentro estavam em estado de reza
E só a memória do não-visto guiava meus passos em cima do chão novo tão antigo
Dentro de mim, a vista da borda do infinito
Memórias de fios, de peles, de eternidades na suspensão de um olhar
Era eu e todo mundo
Era nada também
E tudo era belo no limbo
Mas os olhos de fora foram, então, fadados a focar
E viram
No riso de toda a realeza dos restos da razão
As moscas enormes e costudas que coroavam o belo aviso, o sinal
Na divina placa do lixo
Que, reluzente, dizia
Por amor
O preço
É outro
Sempre foi
E ainda é
Não é?








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